terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mensagem do Pároco

Parte II

“Com MARIA: unidos a JESUS na Eucaristia!”

Este é o tema do Círio de 2010: “Com MARIA: unidos a JESUS na Eucaristia!Queremos nos aproximar de Maria, mulher eucarística, para com Ela aproximarmos de JESUS, colocarmos diante dele para lhe adorar, lhe agradecer, louvá-lo e amá-lo. A sua presença real neste grande mistério da Eucaristia nos enche de alegria e nos dá força para a missão. A sua promessa: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28, 19), se cumpre de forma muito especial na Eucaristia, onde acontece a presença real e verdadeira de Jesus, conforme fala um conhecido hino eucarístico: “Deus está aqui”. Na Carta Apostólica “Ficai conosco, Senhor”, João Paulo II nos diz: “A Eucaristia é mistério de presença, por meio do qual se realiza de modo absoluto a promessa de Jesus de permanecer conosco até o fim do mundo” (n. 16). Sim, Jesus está vivo na Eucaristia. Esta é a maravilha da Eucaristia: nela realiza-se a presença real de Jesus. A Eucaristia não é um símbolo da presença de Jesus, não. É uma realidade! Desde que na última Ceia Jesus disse a primeira vez: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19), em cada Eucaristia acontece a mesma maravilha: Jesus se faz presente e o pão não é mais pão, e sim o Corpo de Cristo. E o vinho não é mais vinho, e sim o Sangue de Cristo.
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 A Carta Encíclica “A Igreja da Eucaristia” tem um capítulo titulado “Na escola de Maria, mulher “eucarística”. Nele o Papa João Paulo II começa ressaltando a relação íntima que existe entre a Igreja e a Eucaristia, e entre Maria e a Eucaristia.
                 Assim como Maria é Mãe e modelo da Igreja, ela pode nos ajudar a relacionarmos com a Eucaristia: “Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento, porque tem uma profunda ligação com ele” (n. 53). Diretamente a Bíblia não fala da participação de Maria na Eucaristia, mas com certeza que ela participava com a comunidade! O relato da instituição da Eucaristia na quinta-feira santa não fala que Maria estava presente. Sim sabemos que Maria estava com os Apóstolos no cenáculo, após da Ascensão de Jesus aos céus: “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus e os parentes dele” (At 1, 14).   E lá Maria fez um trabalho muito bom com os Apóstolos, preparando-os para a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. E com certeza que ela participava nas celebrações eucarísticas da primeira comunidade cristã, que era perseverante “na fração do pão” (At 2, 42), ou seja, na participação da Eucaristia. Continua João Paulo II dizendo: “Maria é mulher “eucarística” na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-la também na sua relação com este mistério santíssimo” (n. 53).
 O que quer dizer que Maria é uma mulher “eucarística”? Quer dizer que a Eucaristia estava no centro da sua vida e do seu coração, que ela vivia e se alimentava da Eucaristia.
                  Todos nós sabemos quanto a fé é importante diante da Eucaristia, que é chamada pela Liturgia “mistério da nossa fé”. Sem uma fé viva, nós ficamos perdidos neste grande mistério. Só através da fé e em união com Maria, é que dá para entrar no mistério. Assim, cada vez que celebramos a Eucaristia, cumprimos o mandato de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19) e, ao mesmo tempo, estamos seguindo o pedido de Maria: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Ou seja, assim como Jesus, a pedido de Maria, manifestou seu poder mudando a água em vinho, também ele tem poder para transformar o pão e o vinho no seu corpo e no seu sangue. Jesus é poderoso! Nada se resiste ao seu infinito poder!
            O Papa João Paulo II na referida Carta Encíclica sobre a Eucaristia diz que “existe uma profunda analogia entre o “Sim” pronunciado por Maria, em resposta às palavras do anjo e o “Amém” que cada fiel pronuncia, quando recebe o corpo de Cristo” (n. 54). Efetivamente, Deus através do anjo pediu a Maria para ela acreditar que Aquele que ela conceberia no seu seio pela ação do Espírito Santo era o mesmo Deus. Ou seja, que Deus tinha um projeto de fazer-se homem e para isso precisava de uma mãe e a mulher escolhida para esta missão foi Maria. Deus pede também para nós acreditarmos na presença real e verdadeira de Deus no pão e no vinho, que são consagrados na Eucaristia. Sim, Maria acreditou: “Feliz tu que acreditaste” (Lc 1, 45). Maria foi o primeiro sacrário da história que conteve a Jesus Cristo vivo. Durante a sua gestação, com quanta fé e amor ela conversava com seu filho Jesus! Maria era como o céu na terra! E quando Maria com muito carinho estreitava nos seus braços ao Menino Deus, estava indicando para nós com que grande amor nós temos que receber Jesus na Eucaristia. Infelizmente às vezes as nossas comunhões são feitas com pouco amor e muita rotina. Para nós aproximarmos de Jesus Cristo na Eucaristia com mais fé, amor, agradecimento e alegria, é bom pensar como seriam as comunhões da Virgem Maria. João Paulo II na referida Carta Encíclica diz: “Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o dela e reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto da cruz” (Ibid. n-º 56). Em verdade que eram momentos de uma grande intimidade e ternura entre mãe e filho! Já que Ele sempre esteve muito ligado à sua mãe e Maria sempre esteve muito ligada ao seu filho. Quando Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia, pensou especialmente nas comunhões da sua mãe. Somente por elas valia à pena instituir este grande sacramento da Eucaristia. Por isso que Maria é o nosso referencial para nós aproximarmos do banquete da Eucaristia. Ela nos ensina a receber Jesus com essa fé e amor que Ele merece. Maria está nos convidando a participar da celebração da Eucaristia com as suas atitudes. João Paulo II na referida Carta Encíclica nos convida a entrarmos na escola de Maria: “Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das nossas celebrações eucarísticas. Se a Igreja e a Eucaristia são um binômio indivisível e inseparável, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia” (Ibid. n-º 57). O Papa está falando para nós da união estreita que existe entre a Igreja e a Eucaristia, que é o mesmo que dizer a união estreita que existe entre a Igreja e Jesus. A Igreja Católica é a Igreja da Eucaristia, por isso que ela é a Igreja de Jesus. A Eucaristia vai construindo a Igreja, “Até o fim dos séculos, a Igreja edifica-se através da comunhão sacramental com o Filho de Deus imolado por nós” (Ibid. n. 21).

 
A Paróquia de Salvaterra está de parabéns, porque estamos trabalhando acima do projeto de levar a Eucaristia às comunidades da cidade e da zona rural. Neste ano de 2010 já tivemos três cursos de preparação de candidatos a ministros extraordinários da comunhão e no dia 12 de setembro o nosso bispo Dom José Luis fez o envio de 23 ministros extraordinários da comunhão, que vão exercer este ministério em cinco comunidades da cidade e em oito comunidades da zona rural. E no próximo ano de 2011, se Deus quiser, continuaremos preparando candidatos, a fim de que a Eucaristia possa chegar a todas as comunidades da zona rural que cumpram as exigências colocadas para este importante projeto pastoral. Esta é uma grande conquista das comunidades, sonhada por elas durante muitos anos e que hoje está sendo realidade.
E a Eucaristia é a força e o momento muito especial do encontro com Jesus Cristo e o incentivo para impulsionar o compromisso pessoal com Ele. O encontro com Jesus Cristo no batismo renova-se e consolida-se continuamente na Eucaristia. Assim o papa João Paulo II explica o que acontece na comunhão do corpo de Cristo: “Cada um de nós recebe Cristo e também Cristo recebe cada um de nós. Ele intensifica a sua amizade conosco: “Chamei-vos amigos” (Jo 15, 14). Mais ainda, nós vivemos por Ele: “O que me come viverá por mim” (Jo 6, 57. Na comunhão eucarística realiza-se de modo sublime a inhabitação mútua de Cristo e do discípulo: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15, 4). (Ibid. 22).
Mas esse encontro íntimo com Cristo não nos deixa fechados e isolados da sociedade. Aliás, a Eucaristia nos impulsiona para a missão. Quem participa da Eucaristia deve assumir seu compromisso de dar continuidade à missão evangelizadora iniciada por Jesus. Assim, quando a missa termina, continua a missão para a evangelização, com uma exigência ainda maior. Por isso que João Paulo II chama à Eucaristia: “Fonte e vértice de toda evangelização” (Ibid. N. 22). A Bíblia fala que “nós somos edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Jesus Cristo. É nele que todo o edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor” (Ef 2, 20-21). Aqui a Palavra de Deus está falando de uma construção espiritual e de Cristo como pedra ou alicerce principal da mesma. A Igreja é esse prédio espiritual, que está construído sobre Cristo. Com certeza que este texto bíblico tem uma dimensão eucarística. É o Cristo vivo da Eucaristia quem constrói a Igreja. É comendo desse “pão vivo”, que é Jesus, que a nossa Igreja caminha pelos nossos rios, pelas nossas estradas e pelos nossos campos, construindo o Reino de Deus neste imenso Marajó.                A Eucaristia é o novo maná que Deus dá para nós atravessarmos o deserto deste mundo. Jesus é “o pão da vida” (Jo 6, 35) e “quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 51). A Eucaristia é a presença viva de Jesus, o Deus vivo, que dá para nós a vida e tira a nossa fome de Deus.

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